Nos anos de 1990, herdei do meu pai uma coleção de mais de trinta mil fotogramas de cinema (décadas de 20 a 60) esses fotogramas, em geral mostram os atores principais dos filmes e foram cuidadosamente guardados em álbuns feitos para esse fim, contento o nome e o ano da produção, bem como uma legenda com os nomes dos atores. Esse arquivo constitui uma fonte inesgotável de imagens da memória do cinema e um material de trabalho para minhas experimentações.

Trabalhando com um acervo constituído fundamentalmente por fotogramas originários do cinema clássico, eu venho deslocando esses fotogramas em diversas configurações para desprogramar o dispositivo clássico e ativá-lo para outras possibilidades de fruição, para terem sua materialidade evidenciada e se abrirem as reconfigurações articuladas pela atuação imaginativa do espectador.

O cinema que venho desenvolvendo é um cinema que tenta problematizar o estatuto do arquivo com intuito de desconstruir sua íntima relação com o passado e o desejo de experimentar outros modos de fazer cinema, subvertendo as regras de apresentação e de representação do real. Propondo uma interrogação crítica sobre as condições da percepção, do sentido da imagem e sua recepção, possibilitando novos modos de experiência não previstos e uma nova espacialidade para a linguagem cinematográfica, um retorno a corporalidade.

O potencial da coleção sofre uma espécie de ressignificação, os fotogramas são novamente ativados para a vida, mas agora imbricado em outro significado. Quando eu retiro esses fotogramas do artifício da montagem, liberando-as da narrativa e as desloco para outros contextos, para suscitar novas formas e significações, o que estou procurando é investigar sobre os aspectos mágicos e metafísicos da imagem.

Traçando um percurso rumo a uma prática de cinema que o confronta com outras linguagens, criando relações entre os códigos, misturando campos, possibilitando trocas e incentivando diálogos. A intervenção aqui proposta tem como objetivo a formação, produção e reflexão sobre um cinema de invenção.

A criação de um conjunto de dispositivos, com o objetivo não de remeter a imagem dos fotogramas a seu passado, mas, ao contrário, extirpá-la dele para lhe dar, uma nova vitalidade, reinventando uma outra cinematografia, procurando elaborar uma outra experiência entre a imagem e aquele que a contempla Assim, a noção de cinema pode ser alargada e passar a comportar experiências em campo expandido.

Desejo potencializar a imagem, na crueza dela mesma, sem o amortecimento de Hollywood, proporcionar a possibilidade de sonhar a partir delas. Um convite para que o espectador participe da mobilidade da obra, se perca na imagem, como uma forma de se renovar, de se recriar, de se reencontrar outro, como resistência às imagens-clichê e verdade preestabelecidas e veiculadas pelo poder.

 

 

 Maxx Williams Jersey

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